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DEIXA ACONTECER NATURALMENTE
Este ano, quero paz no meu coração. Quem quiser ter um amigo, que me dê a mão…
O tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar. Nossos passos pelo chão, vão ficar…
Marcas do que se foi. Sonhos que vamos ter. Como todo dia nasce, novo em cada amanhecer…
Adoro essa chance nova que temos a cada ano de construir tudo de outra forma. De recomeça com uma nova força, com mais alegria. O que seria da esperança se não fosse a oportunidade de recomeçar?
Esse ano eu quero muitos amigos…quero ter a oportunidade de fazer muitas escolhas. Quero chorar, sorrir, viver. Eu quero fazer a diferença em minha própria vida e descobrir felicidade em coisas simples e pequenas. Quero ser feliz assim, sem motivo, por pouca coisa, por muita bobagem.
Quero ter com quem dividir e ter mais alguém pra somar. Não quero ter que me importar com o tempo da caminhada, nem com as condições da estrada. Quero só ter uma companhia…que esteja do meu lado quando eu topar com algo que me tire o equilíbrio. Não. Na verdade, eu quero mesmo é alguém que tire meu equilíbrio. Que me deixe de pernas bambas e olhar envergonhado. Que me desnorteie de tal forma, que eu não seja mais capaz de me encontrar sozinha.
Eu quero que as pessoas que eu amo sejam cada dia mais felizes. E que as pessoas que eu não amo entendam que algumas vezes cruzamos o caminho de outros, mas que isso não quer dizer que deveremos estar conectados para sempre. Se cada um for para um lado, todos viveremos melhor.
Eu queria poder desejar paz para todo mundo. Mas o mundo é grande demais. Desejo apenas que haja paz onde se a quer. E gostaria que todos a quisessem. Que gentileza e respeito não fossem sinal de fraqueza. Que nossas discussões terminassem numa piscina de bolinhas.
Sabe, as coisas boas são mais fáceis de acontecer do que a gente imagina. Uma mão estendida às vezes consegue enfeitar mais que um sorriso. E dar é nossa mágica mais poderosa. E a gente nunca consegue parar pra pensar em quantas portas é possível abrir com o gesto da oferta. A gente dá amor, carinho, atenção, respeito, felicidade…e quanta luz é possível ver?
Eu quero um ano novo de flores multicoloridas. De nuvens de algodão doce e rios de chocolate. Porque eu acredito que não dá para viver o novo sem um sonho, sem fantasiar um pouco a realidade. É só esquecer um pouquinho os anos que levaram embora nossa esperança e acreditar que daqui pra frente, tudo vai ser diferente! Eu acredito.
MINHA TRILHA SONORA
E já são 30 anos. E se eu pudesse voltar? Se tivesse a chance de fazer diferente? Se eu quisesse, eu poderia?
É provável que estivesse tocando essa música quando eu nasci:
“Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar!
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar
Mas chora!”
Vou festejar
Ainda tento me acostumar com o som dos 30 fazem na minha cabeça. Tudo meio que muda bem no meio dessa grande sinfonia que é a vida da gente. Acordamos para o mundo chorando por não sabermos ainda usar as palavras e o mesmo acontece nos anos seguintes porque não importa quanto tempo tenha passado, algumas vezes choramos porque essa é a maneira mais fácil de nos fazer entender.
“Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
La vem o pato
Para ver o que é que há.”
Pato Pateta
E eu comecei essa grande caminhada feito o pato pateta, fazendo um monte de trapalhadas. A gente nem percebe o tempo que leva até que aprendamos alguma coisa. Até os 10 somos humildes o suficiente para fazer mais perguntas do que respondê-las. Dai até os 20 achamos que temos todas as respostas e já não precisamos das perguntas. Mas vamos nos aproximando dos 30 e percebendo que por mais que tenhamos algumas respostas, elas nunca serão suficientes. É quando a gente, finalmente, aprende que há mais a saber do que pode caber em uma vida.
“Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
E orelhas de camelo, né tio!
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está
É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo é tão bom de se gostar
E eu adoro
É claro
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo”
É tão lindo
Acho que essa foi uma das primeiras lições que aprendi antes de chegar aos 30: respeitar as pessoas como são. Lembro de minha mãe sempre dizer que ninguém é melhor ou pior, só diferente. Que não devíamos julgar ninguém pela aparência por encontraríamos gente boa mal-vestida e gente ruim bem-vestida. Foi um dos maiores ensinamentos que poderia receber e hoje vejo como foi importante eu aprender isso desde cedo. Acho que isso foi meio que uma preparação para as pessoas maravilhosas e diferentes que eu encontraria no meu caminho.
“Recortei a luz da lua e colei num papelão
Escrevi assim sou sua e te fiz um coração
Encontrei você na rua, você nem deu atenção
Eu nem sei qual é a sua, coração de papelão
Então chorei, até pensei, amor assim pra que?
Meu bem não sei fingi que nem te olhei
Sempre quis namorar com você (meu amor sempre quis namorar com você)”
Coração de papelão
Eu lembro que essa música fazia sucesso quando me apaixonei por meu vizinho. Lembro das bochechas queimarem e o coração quase sair pulando pela boca quando o via. Acho que foi a coisa mais doce que senti por alguém. Não era vontade de beijar, nem de tocar, era mais um desejo que ele estivesse do meu lado o tempo todo e, ao mesmo tempo, cada vez que eu pensava que estaria no mesmo lugar que ele, sentia que minha alma desmaiava, mesmo que eu continuasse de pé. Eu não devia ter nem nove anos. Foi um despertar para o amor lindo esse meu.
“Se lembre que eu há muito tempo te amo, te amo, te amo.
Quero fazer você feliz!
Vamos pegar o primeiro avião,
Com destino a felicidade
A felicidade pra mim é você!”
Pense em mim
Ai chega uma época em que amar é uma coisa tão inocente. A gente, simplesmente, ama. Minha timidez sempre me impediu de amar com mais verdade, mas não com menos intensidade. Era uma época em que eu achava que tudo que era possível sentir no mundo estava dentro de mim. E pra que se preocupar se não haveria sucesso nesse amor, importante mesmo era descobri-lo mais forte a cada dia. Era dormir sonhando como se o mundo fosse feito apenas de príncipes e fadas. E eu esperando que uma delas realizasse meus desejos. Era tão pouco o que eu queria. À fadinha dos dentes só pedia que passasse de ano. Aos seres da floresta eu só pedia vida. Vida e mais vida. Como se aos 12 anos a vida fosse muito pouco. Havia tanto a descobrir e uma batalha interna tomava formato. Minha cabeça já não era a mesma, nem meus sonhos, nem minha felicidade. Eu estava me descobrindo…
“Como é que uma coisa assim machuca tanto
E toma conta de todo o meu ser
É uma saudade imensa que partiu meu coração
É a dor mais funda que a pessoa pode ter”
Que se chama amor
Uma das descobertas, acho que a primeira que eu fiz na vida, é que amar alguém dói. Descobri então que por mais protegida que eu estivesse, alguém sempre poderia me machucar. Acho que quando as coisas estão acontecendo pela primeira vez em nossas vidas, tudo é muito mais intenso, mas também são águas que passam sem deixar tristeza. Não lembro de sentir a dor que sinto hoje, nem de ter tanto medo de sentir o que eu sentia. Era a vida que ia, simplesmente, acontecendo e eu a deixava correr…suave e selvagem.
“Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…”
Pra não dizer que não falei das flores
Também há sempre um momento em que a gente desperta e começa a compreender que fazemos parte de algo maior que nós mesmos. Esse momento aconteceu quando eu tinha 14 anos e senti que não era possível que eu estivesse no mundo à toa. Foi quando eu “despertei” pro mundo e para tudo que existia além do meu umbigo…
(continua)
OS RIOS DENTRO DE NÓS E SUAS PEDRAS
Eu vi o título desse post num outro texto, de um outro autor.
Mas fiquei pensando tanto no significado dessas palavras que quis, eu também, escrever um post que tivesse esse título.
Há muito tempo deixei de considerar as pedras um delimitador da minha vida. Acho que elas é que dão forma e força às correntezas que me carregam. Elas estão lá para me tornarem mais forte, ou mais sábia, ou reterem aquilo que não pode mais correr junto a mim. Algumas pedras estão lá exatamente para me desviarem do percurso e me fazerem desenhar uma outra realidade, num outro contexto. Outras, me dão sustentação e ainda algumas represam minhas águas até que eu me transforme numa linda cachoeira, cuja luz captada pelo sol, dá origem a um gigantesco arco-íris.
É difícil dizer quantos rios existem dentro de mim. Há um rio sazional, que se rebenta quando a terra fica muito seca, árida, insuportável. Ele se enche todas as vezes que a dor da solidão aflora e começa a se formar uma tempestade de desesperança dentro de mim. Então cada gota de água que cai é uma esperança vazia que se despede do meu peito. E o rio volta a ficar cheio.
Há também um rio que de vez em quando transborda e inunda tudo ao redor, fertilizando toda a margem. Ele é o mais profundo, o mais denso, porém, o mais transparente. É o rio que segue a história da minha vida e corre comigo. Ele surgiu quando eu vim ao mundo e eu achei por bem chamá-lo de amor, porque estou certa de que foram estas as primeiras chuvas que o formaram. Ele é tão imenso, quanto maior é o sentimento que eu tenho pelo outro. Foi se enchendo aos poucos, a começar com minha família, depois com meus amigos. Então esse rio dentro de mim é tão límpido e tranquilo quanto os laços que me unem àqueles que eu amo. Não está isento de pedras, mas está muito mais cheio de ternura.
Existem ainda muitos outros rios em minha vida. Uns mais calmos, outros rasos. Uns profundos e traiçoeiros, capazes de causarem um verdadeiro naufrágio na minha alma. Alguns, por uma razão que eu ainda não entendo, deixaram de existir à medida que o terreno foi ficando mais íngrime. E outros ainda se transformaram em grande lagos, ensimesmados, parados, gelados.
Quando a natureza que existe em nós consegue figurar nossos sentidos dessa maneira, fica muito mais fácil entender que nada é constante. O universo de coisas que sentimos, fazemos, representamos, muda a cada instante, como o próprio rio. Desse jeito fica mais simples viver e perceber que as pedras fazem parte do curso de nossas águas e podem transformar-nos, enriquecer-nos ou até mesmo mudar um pouco a nossa forma. Mas elas, sozinhas, não são capazes de fazer com que o rio corra. Esse fardo é nosso. Nós somos responsáveis pelo nosso movimento e pelo que colhemos ou semeamos no caminho.
O MOTIVO DE CADA UM
Fazia tempo em que eu queria escrever sobre isso.
É mais uma catarse sobre a vida e de como as coisas funcionam.
Tipo, tem horas em que a gente tá na merda. A gente pensa que não pode ficar pior e…fica. A gente não consegue ver muito além das coisas e procura saídas que não existem. Parece quanto mais a gente cutuca a lama, pior vai ficando a situação pro nosso lado.
Ai bate aquele desespero. Tipo, a gente chora, aluga o melhor amigo, fecha a cara, se estressa e deixa de fazer um monte de coisas legais. Ai, né?, lei da atração. Tá, eu não acredito nessa besteirada toda de O Segredo, mas Murphy funciona sempre, né? Você cai, constrangedoramente, no meio da rua. Sua empresa atrasa o pagamento e te deixa fudida. Seu ficante cansa de você. E seu cabelo passa a assumir dimensões e formas grotescas.
Você olha as pessoas na rua e elas parecem tão felizes. Conversam, comemoram, namoram e se abraçam. Nesse momento é que eu vejo que não adianta fazer nada. É o famoso “relaxe e goze”. O céu não vai ficar cinza porque você está infeliz, nem a noite, menos estrelada. E eu poderia dizer: olhe para as pessoas que não têm nem o que comer (ou, tipo, tem gente mais na merda que você, então pare de frescura). Mas, cada um no seu quadrado. A infelicidade, seja pelo motivo que for, é sua. Única.
Sua felicidade ou infelicidade é sempre um pedaço do que você viveu. De como foi a sua infância, seu relacionamento com seus pais e até da maneira como você desenhava árvores. E eu sempre fico surpresa em me ver nesses momentos.
Tem que ter muita coragem para desafiar a vida. Pra seguir um caminho diferente daquele que, aparentemente, lhe foi traçado. Pra romper as regras e continuar de pé. Mesmo que te digam o contrário. Ainda que todos os horizontes sejam curtos e todas as barreiras, intransponíveis. Tá, isso tá parecendo prefácio de livro de auto-ajuda. Mas, né? Não é todo mundo que consegue sair incólume disso. Tenho que reconhecer.
Chegando perto dos 30 acho que você meio que reflete sobre muita coisa. Não tenho medo de envelhecer, nem de morrer. Mas tenho medo de ficar sozinha. No sentido mais completo da palavra (apenas para criar um paradoxo). Tenho medo de perder meus pais, minha família, meus amigos. Medo de não ter com quem falar, por quem chorar, e todo esse melodrama de romancesinho americano.
Mas acho muito justo ter esse medo. Sou humana, né? Sem contar que isso é também minha maior alegria. Tipo, quando eu tou na merda e quase começando a pensar que a morte é a única saída certa, eu penso nas pessoas que eu amo. Jamais ousaria deixá-las de livre e espontânea vontade. Eu consigo sentir o abraço de cada um dos meus verdadeiros amigos. E eu acho incrível isso na nossa espécie: essa capacidade de encontrar algo bom no seio das piores intempéries. Tipo, tem um furacão e você vê lá pela televisão as pessoas se matando para salvar uma vida. Você vê pessoas cuidando com esperança de doentes terminais. Encontra alguém que lhe oferece comida, enquanto você achava que o dia estava perdido.
Acho que isso pode ser chamado de “o motivo de cada um”. O meu é acreditar no amor e procurar senti-lo de alguma forma. Porque eu acredito que não dá pra passar pela vida sem descobrir um motivo para ter coragem e continuar seguindo. A gente acaba adoecendo ou enlouquecendo com tanta coisa ruim. E também não dá pra desafiar tudo e não pagar um preço por isso. O meu custo é ter todos os conflitos psicológicos ululando em minha alma, mas meu pagamento é feito com o amor que sempre achei, de graça, em todos os lugares em que estive. Acho que é justo, né?
ÓIA O QUE EU GANHEI
Rita Ce é tudisso ai pra mim iscrito aimbaixo: [ACHEI TONLINDU!!!]
Ce é o colírio do meu ôiu…*
É o chiclete garrado na minha carça dins…*
É a maionese do meu pão…*
É o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu – eu tenho dois)…*
O limão da minha caipirinha…*
O rechei do meu biscoito…*
A masstumate do meu macarrão…*
A pincumel do meu buteco…*
Nossinhora!!!*
Gosto dimais da conta docê, uai…* Ce é tamém:
O vi deperfume da minha pintiadêra…*
O dentifriço da minha iscovdidente…*
Óiprocevê, quem tem amigo assim, tem um tisôru !!!*
Eu guárdesse tisouro, com todo carinho ,do Lado Esquerdupeito !!!*
Dentro do Meu Coração !!!*
AMOOCÊ PADANÁ
BRIGADA, RÔ!
ATRAVÉS DO ESPELHO
Minhas amigas andam dizendo que tenho sido muito chata. Ok, novidade nenhuma porque sempre fui um porre. Mas, né? Quando a galera que a gente conhece começa a dizer esse tipo de coisa é porque o bicho tá pegando – ou não.
Eu nunca me importei muito com o que as pessoas pensam e falam de mim, desde que seja verdade, claro. Mas se tem uma coisa com que eu me importo, e muito, é com a opinião daqueles que eu considero. Num gosto de dar uma de “gênio incompreendido” porque, né? Num sou tão “gênio” assim pra ficar fazendo cu doce e agindo como se soubesse de tudo mais que todo mundo. Mas, às vezes, eu queria que meus amigos entendessem algumas das minhas opiniões. Por isso, resolvi, como boa jornalista, fazer uma entrevista comigo mesma…quem sabe assim eu não me ajudo também a entender porque porra eu tenho sido tão chata até quando estou sozinha.
_ Você tem uma implicância gratuita com algumas pessoas com personalidade diferente da sua. Com que frequência isso acontece?
- Então, não é *sempre*. Só é *quase sempre*, tem diferença. E não é gratuita, não. Custa um monte pra mim ter que aguentar certas figuras. Mas é que tem um tipo de pessoa que, oi, não desce nem com skol. Tipo, eu sou toda “certinha” a maior parte do tempo, não que eu tenha vocação pra santa mas, né?. Num tem jeito. Sou o tipo *Gabriela* mesmo, serei sempre assim. E quando eu falo “certinha”, isso não significa que eu fico *fazendo a Sandy*, porque pára, eu sou bem puta quando eu quero e gosto de putaria sim, porque oi, putaria é básico. Mas tou falando em agir de acordo com o que falo. Procuro ser coerente nesse sentido. Para mim, isso faz um ser humano ser autêntico, porque se tem uma coisa que eu ODEIO é gente fingida ou que diz uma coisa e faz outra. Nossa, como isso me tira do sério. Tipos, tem a Rô e eu admiro muito ela. É mulher, oi, gosta da *coisa* e faz o quer com a própria vida, sem arrependimentos. É esse tipo de pessoa que eu gosto de estar perto, porque eu sei que vai ser sincera sempre, principalmente quando tiver de saco cheio de mim e me mandar tomar no c*.
- Que qualidades uma pessoa deve ter para ser seu amigo? Deve ser difícil conseguir isso com você, não é?
- Super é. Cara, eu sou muito tímida. Se a pessoa não chegar junto, puxar assunto, eu não vou me aproximar mesmo (claro que, às vezes, uso isso como desculpa para não falar com alguém com quem eu não esteja a fim). Pense numa pessoa super desconfiada e analítica com gente. Sou eu. Um amigo me disse uma vez que eu tenho um questionário imaginário e vou “tickando” o que há de bom ou ruim na pessoa para, só depois, permitir-me ser sua amiga, ou não. Claro que não é bem assim. Algumas vezes a empatia é mais forte que o instinto de auto-preservação. Eu só acho que amizade é uma das coisas mais valiosas do mundo. Procuro não ficar gastando muito e, além disso, Já me fudi muito com pessoas que eu achava que eram meus amigos e acho que depois de um tempo só-se-fodendo, você acaba ficando mais seletivo mesmo. Depois da minha família, vêm meus amigos e isso, pra mim, tem tanta importância que eu NUNCA chamaria de amigo alguém que não fosse capaz de dividir comigo a sua história. Porque, né?, muito fácil neguinho vir chegando, ir pra balada com você, beber junto, mas não ser capaz de também de chorar com você ou se abrir com você. Eu considero esse tipo de coisa importante. Num tem muito segredo. Também, pra quê, né?. Pra ser meu amigo, basta que a pessoa seja ela mesma (pro bem ou pro mal) e não me venha com essas mesquinharias de querer ser meu amigo por eu ter isso ou aquilo e talz, até porque, oi, a única coisa que eu teria para “dar” a alguém, nem todo mundo iria querer.
- Você vive implicando com sua colega de apartamento. Por que?
- Não é implicância. Na maioria das vezes é falta de paciência mesmo com o “fantástico mundo de Bob” onde ela vive. Então eu meio que *catuco* pra ver onde é que vai dar. Ok. Num sou a pessoa mais pé-no-chão do planeta. Tá, também sei que não sou a dona da verdade (mas gostaria muito de ser). E, tá bom, tá bom, eu sou mesmo pau no cu de vez em quando.
- É verdade que sua arrogância é uma maneira de você se proteger das pessoas? Ou será que isso não é uma desculpa que você inventou para si mesma para não transparecer que você se acha melhor que os outros?
- Cara, não tem coisa que me deixe mais pirada do que esse papo de ser-melhor-que-os-outros. NINGUÉM é melhor ou pior. As pessoas só são diferentes. Tipo, eu gosto de campo, enquanto a maioria das pessoas gosta de praia. Tem gente que acha que vai morrer se ficar em casa na sexta à noite e, dependendo da balada, eu prefiro ficar em casa na minha a me meter em roubadas. Eu adoro coisinhas fofinhas e bonitinhas e cores básicas. Minhas amigas adoram extravagâncias. Eu gosto de sossego, MPB, água de coco e dos livros do Saramago. O resto do mundo curte raive, eletrônica e ficar loucão. É diferente. Eu não sou arrogante (tá, às vezes, sim), nem mau-amada, nem a bruxa do 71, ou o caralho que alguém já deva estar me chamando a essas horas. Claro que eu sei que ando parecendo uma velha reclamona, precisa nem dizer, né? Mas, pára, é muita gente chata, hipócrita, mentirosa e fútil para eu aguentar. Preciso filtrar de vez em quando, se não, minha cabeça explode. Ai, oi, faço a *egípcia* com algumas coisas e pessoas mesmo que é pra ver se alguém entende que eu não vim ao mundo pra ser igual a ninguém.
- O que você, no auge da sua “tolerância zero”, não consegue aceitar nas pessoas?
- Olha, pra ser bem sincera, eu gostaria que meu toleranciômetro tivesse uma escala mais larga. Mas sou muito exigente com pessoas. Eu fico pra matar com gente mentirosa e com tipos torpes que eu vejo por ai, que não entendem de nada e “fingem” que são descoladas e conhecedoras do mundo, tudo no melhor estilo: colar, colou. Também odeio essa modinha de marketing pessoal. Ai, pára, né? Ninguém merece uma pessoa que só fala de si mesma, que acrescenta mais do que deve às histórias e vive das glórias do passado. Ai, dá uma angústia. Outra coisa que eu não entendo é a traição. Eu posso estar correndo o risco de parecer ser a pessoa mais ingênua do mundo mas, tipo, eu sempre achei que gostar de alguém é ficar com esse alguém e ponto. Sem reticências. Sem aquela desculpinha ridícula de que ele/ela me trai também. Sem ficar arrumando desculpas. Cara, eu não tenho nadíssima a ver com a vida de ninguém, mas não me peça pra respeitar gente assim, porque, né? São dessas pequenas coisas que o caráter de uma pessoa é feito. Moralismos à parte, eu fico pensando sempre que uma pessoa que mente, que precisa de uma máscara para se apresentar aos outros ou que trai aquele/aquela que diz que ama…porra, merece ter credibilidade em relação a alguma coisa? É aquela história de ser coerente. Agora, oi, se a pessoa for uma boa filha-da-puta, então tá. Ai, tudo bem. Não há conflito entre o que ela é o que aparenta ser.
JOGANDO A BOLA
Acontece que estou mudando. É uma transformação no fundo da alma. Dessas que direcionam a gente para um caminho só. É como se estivesse mudando de sentido, a vida.
Quando foi a última vez que senti algo de verdade? Não sei. Os meus dias tem sido repletos de vazio. Uma escuridão nos olhos. Uma tristeza no infinito. Isso ou aquilo e no final, acabo não sentindo nada. Perguntei para mim mesma o que diz meu coração e não consegui encontrar nenhuma resposta. De tão vazio, o eco retumbou. Doeu e eu pude perceber que o sentimento faz a gente ficar aquecido.
Sinto falta dos meus amados que aquecem os pedaços da minha alma. Daqueles que se foram, daqueles de quem eu me fui, dos que ainda não chegaram. Isso eu sinto de verdade e cada vez que penso nesses amados, sinto uma emoção e um calor no peito. Fico feliz porque, de certo, sei que nem tudo está perdido.
Acontece que a gente acostuma a viver só uma metade. A parte que é nossa, que é toda íntima, essa a gente deixa pra viver em segredo. A gente acaba deixando pra ser verdadeiro na frente do espelho, ou sobre o travesseiro, naqueles poucos segundos antes de dormir. Acabamos descobrindo, um dia, que o que realmente somos, ficou perdido ou, simplesmente, deixou de ser.
Eu não quero ser assim. Não quero que isso aconteça comigo. Eu quero deixar de ser o que os outros são e exigem que eu seja e voltar a fazer as coisas que meu sentido permite. Preciso deixar de ter medo, de negar, de me angustiar. Viver é uma bola que a gente chuta pra frente. Se o drible der certo, é gol. Se bater na trave, teremos sempre outra chance. Até que o jogo acabe.
VIVENDO E APRENDENDO
Às vezes eu queria ser um pássaro. Às vezes eu até acho que sou. Um ser tão pequeno, um mundo tão grande. Tantas descobertas. Tantos perigos. Não sei onde me encontro nesse mundo em que voar é perigoso, aterrisar é outra aventura. Eu fico pensando que se viver fosse mais fácil, talvez sobrasse tempo para fazermos outras coisas. A correria é tão grande e quando crescemos deixamos de ser filhotes. Somos só nós, o céu e a terra, com todos os seus contrastes.
Hoje me sinto uma ostra. Tenho tanto medo de tudo que venho me enclausurando, ficando longe de todos, deixando de viver. É uma escolha que reconheço ser desnecessária. O mundo continuará sendo o mesmo eu vivendo nele ou não. Mas tenho tanto medo da infelicidade que venho fazendo infeliz a mim mesma, antes que outros o façam. Maneira idiota de viver e covardia em ser feliz. Eu sei. Mas é muito mais difícil ser feliz e é quase impossível ser feliz sozinha.
A solidão tem me acompanhado já faz muito tempo. Não sei o que é isso. Queria tanto me apaixonar, mas sequei. Queria ficar daquela maneira boba que as pessoas geralmente ficam quando estão pensando em alguém. Eu queria, pelo menos uma vez, não ter que sofrer nem chorar um amor não correspondido. Queria que dessa vez fosse espontâneo, alegre, simples. Eu queria que ele fosse sincero, alegre, saudável. Eu queria um amor doce, desses de deixar recadinhos. Eu queria um amor quente, daqueles que o coração acelera e as bochechas coram. Não me interessaria se esse amor não fosse tudo, bastava que ele fosse um pouquinho.
Eu não queria viver essa experiência sozinha. Queria alguém pra segurar na mão, abraçar bem apertado, combinar um cinema, uma praia. Eu queria alguém que pudesse deixar minha vida mais leve e que me fizesse querer sair da concha. Alguém com uma voz mansinha, um sorriso agradável e alegria no olhar.
Eu não sei porque nunca tive alguém assim. Não sei porque é tão difícil. Essa porta, eu nunca abri. As vezes em que tentei, só sofri. Mas não me arrependo de ter tentado…só me arrependo de já ter desistido. Foi o único caminho que encontrei, foi a única solução madura. Desisti de procurar por saber da impossibilidade de encontrar. Sinceramente, não sei o que me faz mais infeliz. Honestamente, do fundo do coração, gostaria de morrer tentando. Mas a vida é prática demais e não gosta de nos ver perdendo tempo com essas inutilidades. Se você não se concentra, a vida lhe passa uma rasteira. E não adianta fingir que não se importa. No final, vai ser você e a sua vida e o pior dela.
Eu queria ter em minha memória, lembranças boas de amores felizes. Mas só tenho, no máximo, histórias de quase-amores. Não os vivi por inteiro como se eles se completassem, perdessem ai metade da graça. Viraram simples fragmentos de uma vida vazia. Restos de sentimentos que poderiam ter sido vividos e não foram. Culpa da vida? Não. Culpa minha. Culpa dessa vontade irrefreável de ser feliz, dessa incompetência em viver sozinha. Culpa da minha generosidade sentimental e dessas histórias de cinderela.
Não terei filhos. Mas se os tivesse, rasgaria todos os livros que nos dizem que o amor é um algodão doce que nunca acaba. Tenho uma vida nada doce e o amor nunca se mostrou pra mim. Não perdi minha docilidade, nem a simpatia…mas continuo sozinha. Não tenho pena dessa quase-vida, nem tenho dó de mim. Pelo menos tentei, por pior que tenha sido a aventura. O melhor e o pior eu fiz, o resto foi sorte. Eu não queria essa tristeza insalubre no meu porta-retrato. Nem esse desejo nunca saciado. Eu queria que lembrassem de mim como alguém que amou, tentou, amou de novo e desistiu, mas não desistiu por medo de tentar. Desistiu por medo de viver. Viver dá medo. Eu me assustei.
Queria poder ter filhos pra dizer algo assim. Mas é estranho. Soa como se eu fosse morrer amanhã. A vida é sempre um dia a mais. Por mais inconsequente que seja. Não é fácil se despedir da noite porque a claridade dói demais a vista. Mas começo a perceber que a escuridão nos cega também, porque não conseguimos ver os detalhes. O detalhe da vida é o amor. O detalhe da felicidade é saber oferecê-lo.
UMA VOLTA NO TEMPO
Ultimamente tenho pensado muito no tempo. No tempo que tenho, no que me resta, no que passou. Fico vendo e revendo cenas da minha vida e me entretendo com as pessoas que já passaram por ela. Penso no quão revoltante é não poder voltar e revê-las, e senti-las melhor, ouvi-las com mais atenção. Penso na quantidade de seres que já se aproximaram de mim e que agora nada mais são além de poeira de pensamento.
Já faz um ano que cheguei em São Paulo. Hoje, exatamente hoje, no tempo de um ano atrás. Quantas coisas me aconteceram, quantas eu fiz acontecer. Nessa feliz promessa de um ano bom, nesses desacerto desajustado de um todo que não conseguiu ser nada, aqui estou. Tropeçando, mas aprendendo a ser livre. Como se eu tivesse só agora, acabado de nascer. Como se no o espelho o que conhecia até então, fosse apenas um desejo, nada concreto, sem definição.
É como se só depois das durezas pelas quais passei, possa dizer que agora sim, sou gente! Agora estou pronta. Mas no fundo, sei que não estou e, pra ser sincera, nunca estarei. Ninguém está pronto para entender porque quem tanto amamos precisa, um dia, seguir um caminho da qual não poderemos fazer parte. Ninguém está preparado para isso. Nem tampouco, para as tantas guerras que travamos com nossa própria consciência diante da impossibilidade de nos conhecermos o suficiente para entendermos nosso choro, ou sorriso, ou mesmo a cara amarrada sem motivo.
Compreendo que sou um ser. Compreendo que isso implica em ser complexo e que tenho em mim todas as menores partículas do conhecimento universal. Mas nada sei. Nada dentro de mim e posso dizer que conheço mais os outros do que a mim mesma. Mas isso dói. Porque a dor dos outros também machuca, muitas vezes mais do que a nossa.
Ainda sinto dores etéreas, imensuráveis e incompreensíveis. Mas sei que estou mais ciente de quem sou ou porquê estou aqui. Quando nos descobrimos conhecedores de nós mesmos, o fardo do desconhecido se enfraquece, fica menos pesado.
Hoje é como se eu fosse um mero fantoche nas mãos de alguém que eu já estou começando a entender. Entender a lógica é o segredo. Começo a perceber os meus limites e os motivos do meu choro. Sinto saudade e essa é minha maior dor. Mas sinto desespero em ter que voltar e repetir a mesma vida. E eu acho que esse é um dos pulos que o tempo dá para mostrar que só seguindo em frente é que as coisas passam a fazer um pouco de sentido. Só a linha reta tem alguma lógica nessa porção de coisas ilógicas das quais estamos acostumados.
Não compreendo bem essa coisa de destino. Não aceito ter nascido assim, para ser assim e morrer de livre arbítrio. Por que nascer não é nossa responsabilidade, mas as escolhas que fazemos, são? Pra mim é tudo intenso demais, cheio demais e o destino nada mais é do que um caminho cheio de pedras na qual a única escolha possível é que tipo de pedras queremos ter sob nossos pés. Pra mim essa é a única escolha, de resto, não escolhemos nada. É tudo mera conseqüência de atos e fatos impensados e improvisados por nossa própria vida. Ninguém escolhe estar no fundo do poço, mas atos tresloucados nos levam a tal. E ai dizem que é o destino. Nada mais é do que nossa vontade de dizer que o mundo todo está errado e só nós estamos certos. Pode ser.
Às vezes eu fico pensando na vida e me lembro da morte. Estranho isso mas acho que só compreendemos bem a vida quando entendemos que tem um fim. Se não tivesse, viver seria só um martírio constante, uma grande luta do ser humano contra sua própria inteligência. Se há um fim, há um propósito nisso tudo. A saudade que temos de quem partiu não pode ser tão inútil. Nem pode servir só pra criar o oco no peito que dói tanto que temos a impressão mesmo de que nada aconteceu. E essa é a única forma de enganar nosso entendimento e continuar vivendo nossa tão rasa felicidade.
Mas falando de tempo, e desse tempo que estou aqui…posso dizer que me sinto confortável (este, o único adjetivo apropriado) aqui. Não feliz. Não triste. Não estressada. Não depressiva. Sinto-me simplesmente livre. Talvez esse seja o maior sentimento que possua. Nunca fui tão dona de mim, embora não tenha rompido totalmente o cordão, a linha que me liga à minha família. Não sei se um dia cortarei esse elo, mas estou certa que me fortaleço a cada nova etapa que se apresenta para mim. E confesso que nunca fui tão longe, mas sei que de onde estou, ainda não consigo ver o fim, vejo muito mais caminho e não há como voltar. Porque eu posso até levar a mesma vida de antes, mas certamente, não serei mais a mesma de antes. E eu não sei se essas voltas no tempo e se nessas idas e vindas, eu conseguiria me deparar comigo mesma e me achar ainda a mesma pessoa.
Sinto-me mais frágil do que nunca e mais forte do que aquilo que nunca pude ser. Estranha assim. Como se eu tivesse quebrando casquinhas do ovo que me encobria. Forte na minha docilidade. Tive medo de perder a candura. Tive medo de ficar igual. Mas isso não perdi. E olho ainda às vezes para os momentos em que mais sozinha estive, mais com medo me perdi e não consigo sentir raiva de nada, nem de ninguém, nem de não. Olho com um pouco de medo ainda do futuro, mas feliz por estar me saindo bem, por não ter “enfriecido” completamente. Por trazer um pouco (ou muito) do amor que herdei, do amor do tempo que deixei pra trás, do amor daqueles que chegam, dos amores que me deixaram e daqueles a quem deixei.
HÁ UMA PARTE DE MIM…
Sinto falta, na minha alma, do meu amor verdadeiro. Do meu eu inteiro, sem faltar nenhum pedaço. Há uma parte de mim perdida, querendo encontrar-se. Há um mistério em tudo que vejo, que não consigo decifrar. E esse enigma, acompanha minha solidão, que de tão sozinha, já acostumou-se a ser apenas pó.
Há um desafio que eu tenho que enfrentar e riscos que preciso correr. Não porque eu queira, mas porque o rio intempestivo que corre dentro de mim, precisa escoar. Precisa de um leito que o cerque e lhe regule, precisa de uma ocasião melhor para se acalmar.
Eu não sei se a parte de mim que tem medo, connhece a outra metade que brinca de ser gente, que ri da própria ignorância e falta do que fazer. Não acho que se conheçam, mas provocam em mim uma sensação de que qualquer que seja o lado dominante, sempre levará ao mesmo resultado. Independente do pedaço meu que impera sobre minha vontade, a angústia e a solidão da busca é sempre igual.
Descubro agora fragmentos tão desconhecidos de minha personalidade, que não conseguiria discernir o que sempre foi real em mim e o que era sonho. Sempre pensei que os meus devaneios é que eram reais e agora tudo está tão confuso. Há mais descobertas a serem feitas mas temo que numa dessas, eu acabe me encontrando e me conhecendo demais.
Temo esse sentimento, assim como temo minha ignorância acerca de mim mesma. Uma profusão de sentimentos me confundem e perco as energias a cada hora. Por outro lado, sinto-me resgantando cada caco daquilo que eu nunca consegui ser, ou melhor, nunca consegui viver.
Aos poucos, sei que tudo voltará a ser como nunca foi. O conhecimento de mim também me fascina e assim como toda descoberta, me deixa trêmula, me excita, me apavora. Mas não voltarei. Esse caminho, sei que não terá volta. Uma vez descortinada, minha vida não poderá ter o mesmo palco e nem poderei sentir os aplausos das mesma platéia.
Descubro agora que o amor que sempre quis pra mim, nunca dei aos outros. Descubro agora o egoísmo íntimo do qual nunca fui capaz de expor. Sinto-me descalpelada, sem roupa, nua. Me pegaram! Agora sei que as mentiras da minha vida serão reveladas para mim mesma. Não posso mais fugir, nem voltar a cometer os mesmos delitos.
Sei que preciso correr esse risco. Sei que preciso re-aprender a amar de forma limpa, sem jogos, sem trapaças. Que preciso escolher entre o medo de viver e a razão para que eu continue existindo. E não há dúvidas de que escolherei o segundo. Porque não aguento mais o peso dos meus segredos, nem a solidão da minha alma errante e vazia.
E será assim agora. E cada vez que o mundo girar, eu saberei o que fazer porque conhecerei melhor o meu próprio jogo. Talvez eu ganhe algumas vezes, ou perca noutras milhares. Mas me sinto livre agora, porque posso dizer quem sou para a imagem que vejo no espelho. Posso olhar para essa pessoa de frente e dizer tudo que penso dela, tudo que ela me causou, tudo que eu gostaria que ela fosse. Acho que tenho esse direito. A escravidão da minha alma começa a ganhar abolição e o cubo de vidro no qual vivia, aos poucos vai se rachando. Quem sabe assim, serei feliz. Não importa. O importante é que esse medo que tenho de mim mesma é a condição mais extraordinária que já vivi, mas é também a mais aterrorizante. Adjetivos tão desiguais, tão contraditórios…faz parte de mim essa contradição, faz parte de mim me perder.
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