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EU APENAS QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE

Hoje eu acordei pensando nessa música do Gonzaguinha. Tão minha que eu mesma poderia ter escrito. Tá, talvez eu levasse alguns séculos até essa excelência…mas, tipos…diz tudo, né? É o tipo de música que tem a cara dos meus pais, e dos meus melhores amigos. Então eu ia negritar o que tinha mais razão de ser…mas ai vi que não ia sobrar mais nada que não estivesse em negrito porque cada pedaço, diz alguma coisa minha a alguém. Então resolvi deixar do jeito que tava e quem me conhece de verdade, vai saber que é tudo verdade.

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé

Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira

Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho

Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também

DOIS ANOS

Preciso de uma outra vida. De um novo tempo.

A solidão da minha alma é tão profunda.  A escuridão nos meus olhos me deixa tão perdida.

Deve haver mais nesta vida do que apenas saudade.

Queria poder descobrir meus próprios segredos. Talvez eu sofreses menos. Talvez eu me tornasse mais forte. De qualquer forma, eu só queria que doesse menos esse vazio no peito.

Há exatamente dois anos cheguei. E hoje, longe de todos que amo, percebo que é preciso uma briga diária com a dor que a saudade abre na gente para que nos sintamos, minimamente, felizes. Cada dia mais, eu percebo também que abri um caminho sem volta.

Eu sei que seguir essa trilha foi escolha minha, mas isso não diminui a dor que eu sinto, nem me deixa mais forte. Às vezes faltam forças para continuar existindo, sem que se veja futuro, razão, motivo. De vez em quando, eu fico procurando algo que faça tudo fazer sentido e eu não fique com a sensação de que tudo isso é inútil.

Por que a gente sofre, mesmo quando foi nossa escolha? Por que choramos se podemos voltar a qualquer momento ao ponto de onde começamos a caminhar e fazer outro caminho?

Às vezes eu sinto como se esvaziasse em mim toda a confiança, toda coragem, toda fé. É como se eu sentisse que não existe caminho possível. E ai dói mais ainda. A única força que me segura é o amor dos meus pais. É saber que eu sempre terei para onde voltar. Essa é minha fortaleza, minha paciência, meu conselho. Sinto falta do mundo protegido que o amor deles criou para mim.

Mas já é hora de crescer. Eu sabia que em algum momento, isso aconteceria. Sabia que teria que fazer escolhas e que, nem sempre, elas seriam fáceis. Mas não imaginava que essas escolhas me deixariam tão sozinha. Não sei ao certo o que agora é mais doloroso: o caminho ou ter que segui-lo sozinha.

O que mexe mais comigo é ver o quanto tive que ser forte nestes dois anos. É perceber que, embora eu saiba que o pior já tenha passado, e que agora minha vida esteja melhor, esse é o momento em que menos eu tenho. Talvez só porque agora eu tenha conseguido tempo para sentir, de verdade, a falta que me fazem aqueles a quem eu amo. Ou talvez porque eu tenha, finalmente, entendido que para onde quer que eu vá, jamais deixarei de ser quem sou e de amar quem amo.

ORFÃ DE AVÓS

Hoje meu avô foi embora. Para sempre. Se é que pode existir o “forever”.

Não tenho mais avô nem avó. Sinto-me meio órfã. Queria voltar no tempo. Na época em que brincávamos de casinha no quintal. No tempo em que ambos tinham saúde perfeita e éramos felizes. Sentirei falta deles. Já estou sentindo.

Mas o tempo é o único mal que não se arrepende. Ele não volta. Porque cada passo que damos remove areias no passado. Não é possível refazer o caminho porque nossas pegadas, já não serão as mesmas.

Fico pensando em quanto pode ser breve nossa vida. Meu avô viveu quase 90 anos. Muito pouco, diante da eternidade…quase nada para a vida. Se ele conseguiu realizar os planos que tinha quando era jovem, eu não sei. Nunca saberei sequer, se ele tinha planos. Mas sei que teve uma vida simples e feliz.

Acho que no final, é isso que importa. A gente corre tanto, se preocupa tanto, morre tanto, um pouco todo dia. Esquecemos que no fim, no momento em que deixamos tudo para trás, nada mais será importante. Quando chegar a minha hora, sei que a única coisa que vai me importar de verdade, é o tamanho do amor que guardarei pelos que aqui ficarem.

Sinto que foi assim com meu avô.

Ele me dizia que eu era a luz dos seus olhos e que eu enchia sua vida de alegria. Eu sempre fui seu tesouro. Seus amores, de fato, faziam transbordar sua simplicidade. Sentirei falta do seu sorriso, das coisas engraçadas que ele fazia…para sempre meus avós serão vistos como o presente de Deus em minha vida. De toda a minha alma, agradeço ao Senhor ter-me feito nascer sua neta. Aprendi que uma vida simples, mas cheia de amor, é a melhor receita de felicidade.

Te amo, vô!