Arquivo para a Tag ‘Coisas do Coração’
MINHA TRILHA SONORA
E já são 30 anos. E se eu pudesse voltar? Se tivesse a chance de fazer diferente? Se eu quisesse, eu poderia?
É provável que estivesse tocando essa música quando eu nasci:
“Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar!
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar
Mas chora!”
Vou festejar
Ainda tento me acostumar com o som dos 30 fazem na minha cabeça. Tudo meio que muda bem no meio dessa grande sinfonia que é a vida da gente. Acordamos para o mundo chorando por não sabermos ainda usar as palavras e o mesmo acontece nos anos seguintes porque não importa quanto tempo tenha passado, algumas vezes choramos porque essa é a maneira mais fácil de nos fazer entender.
“Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
La vem o pato
Para ver o que é que há.”
Pato Pateta
E eu comecei essa grande caminhada feito o pato pateta, fazendo um monte de trapalhadas. A gente nem percebe o tempo que leva até que aprendamos alguma coisa. Até os 10 somos humildes o suficiente para fazer mais perguntas do que respondê-las. Dai até os 20 achamos que temos todas as respostas e já não precisamos das perguntas. Mas vamos nos aproximando dos 30 e percebendo que por mais que tenhamos algumas respostas, elas nunca serão suficientes. É quando a gente, finalmente, aprende que há mais a saber do que pode caber em uma vida.
“Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
E orelhas de camelo, né tio!
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está
É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo é tão bom de se gostar
E eu adoro
É claro
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo”
É tão lindo
Acho que essa foi uma das primeiras lições que aprendi antes de chegar aos 30: respeitar as pessoas como são. Lembro de minha mãe sempre dizer que ninguém é melhor ou pior, só diferente. Que não devíamos julgar ninguém pela aparência por encontraríamos gente boa mal-vestida e gente ruim bem-vestida. Foi um dos maiores ensinamentos que poderia receber e hoje vejo como foi importante eu aprender isso desde cedo. Acho que isso foi meio que uma preparação para as pessoas maravilhosas e diferentes que eu encontraria no meu caminho.
“Recortei a luz da lua e colei num papelão
Escrevi assim sou sua e te fiz um coração
Encontrei você na rua, você nem deu atenção
Eu nem sei qual é a sua, coração de papelão
Então chorei, até pensei, amor assim pra que?
Meu bem não sei fingi que nem te olhei
Sempre quis namorar com você (meu amor sempre quis namorar com você)”
Coração de papelão
Eu lembro que essa música fazia sucesso quando me apaixonei por meu vizinho. Lembro das bochechas queimarem e o coração quase sair pulando pela boca quando o via. Acho que foi a coisa mais doce que senti por alguém. Não era vontade de beijar, nem de tocar, era mais um desejo que ele estivesse do meu lado o tempo todo e, ao mesmo tempo, cada vez que eu pensava que estaria no mesmo lugar que ele, sentia que minha alma desmaiava, mesmo que eu continuasse de pé. Eu não devia ter nem nove anos. Foi um despertar para o amor lindo esse meu.
“Se lembre que eu há muito tempo te amo, te amo, te amo.
Quero fazer você feliz!
Vamos pegar o primeiro avião,
Com destino a felicidade
A felicidade pra mim é você!”
Pense em mim
Ai chega uma época em que amar é uma coisa tão inocente. A gente, simplesmente, ama. Minha timidez sempre me impediu de amar com mais verdade, mas não com menos intensidade. Era uma época em que eu achava que tudo que era possível sentir no mundo estava dentro de mim. E pra que se preocupar se não haveria sucesso nesse amor, importante mesmo era descobri-lo mais forte a cada dia. Era dormir sonhando como se o mundo fosse feito apenas de príncipes e fadas. E eu esperando que uma delas realizasse meus desejos. Era tão pouco o que eu queria. À fadinha dos dentes só pedia que passasse de ano. Aos seres da floresta eu só pedia vida. Vida e mais vida. Como se aos 12 anos a vida fosse muito pouco. Havia tanto a descobrir e uma batalha interna tomava formato. Minha cabeça já não era a mesma, nem meus sonhos, nem minha felicidade. Eu estava me descobrindo…
“Como é que uma coisa assim machuca tanto
E toma conta de todo o meu ser
É uma saudade imensa que partiu meu coração
É a dor mais funda que a pessoa pode ter”
Que se chama amor
Uma das descobertas, acho que a primeira que eu fiz na vida, é que amar alguém dói. Descobri então que por mais protegida que eu estivesse, alguém sempre poderia me machucar. Acho que quando as coisas estão acontecendo pela primeira vez em nossas vidas, tudo é muito mais intenso, mas também são águas que passam sem deixar tristeza. Não lembro de sentir a dor que sinto hoje, nem de ter tanto medo de sentir o que eu sentia. Era a vida que ia, simplesmente, acontecendo e eu a deixava correr…suave e selvagem.
“Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…”
Pra não dizer que não falei das flores
Também há sempre um momento em que a gente desperta e começa a compreender que fazemos parte de algo maior que nós mesmos. Esse momento aconteceu quando eu tinha 14 anos e senti que não era possível que eu estivesse no mundo à toa. Foi quando eu “despertei” pro mundo e para tudo que existia além do meu umbigo…
(continua)
DAS BELAS E PEQUENAS COISA DA VIDA
DEIXO-TE
Deixo-te
Assim, sem me despedir.
Como quem caminha rumo à liberdade.
Sem se importar com a dor de caminhar sozinha.
Deixo-te,
Porque nunca estive, exatamente, contigo.
E não quero prender-te mais.
Não queria ir-me.
Mas a natureza do homem é sempre essa,
Fugir do que lhe causa estranheza.
Esconder-se de si mesmo.
Queria calar-te dentro de mim,
E apagar essa luz que acendestes.
Mas sinto-te em todos os meus movimentos.
Em todas as minhas lembranças de felicidade.
Deixo-te,
Não por vontade própria.
Mas pela covardia de não conseguir amar-te sozinha.
Pelo medo de ter-te assim, tão distante.
Pela mesma razão que ouso querer-te.
Fostes tu tão irresponsável,
Não tivestes aparecido em minha vida,
Agora não precisaria te deixar.
Simplesmente por não me ter feito conhecer-te.
E agora, deixo-te.
Com todo o peso na alma
E uma vida a refazer.
Sem tua voz doce e teu sorriso aberto.
Sem lembrar que estavas lá, a qualquer momento.
Tua existência deixar-me-á com saudade,
Mas a lembrança dos teus olhos não terá tão rápida despedida.
Adeus, se posso dizer-te.
Vou para a vida.
Se nos encontrarmos em nossas caminhadas,
Se nos olharmos novamente,
E percebermos que o tempo que passou não foi perdido,
Então, volto a ti.
Se não, já serei outra mesmo, que importará?
O SENTIDO DAS COISAS
DAS CORES…
laranja sol nascente. vermelho sorvete. verde campo. azul infinito. branco água. cinza chuva. amarelo lua. marron outono. preto noite estrelada, amarelo algodão-doce…
…DOS CHEIOS…
mato. terra molhada. chuva. mar. rio. riacho. cachoeira. rosas. talco de nenem. alfazema. lavanda. capim-santo. bolo quente. chocolate. pão na chapa. lasanha. feijoada. shampoo. roupa limpa. milk shake de morango. vinho. pipoca. queijo. canela. tangerina. milho cozido. novo. saudade. casa da avó. criança. limpeza. sorriso…
…DOS SABORES…
coca-cola. chocolate. bolo de milho. torça de limão. brigadeiro. batata frita. canja. licor de menta. caramelo. bolo de rolo. gelatina. sorvete de menta com calda de chocolate quente. casquinha de sorvete. pirulito. suspiro. bala de coco. picanha. sobremesa. hidratante de fruta. sorriso de criança. roupa de algodão. nuvem. beijo gelado. mordida na barriga. tesão…
E DOS AMORES…
brincar que nem criança. dançar até cansar. cantar alto a melhor música do mundo. dormir até tarde. um bom filme na TV. a lembrança de um amigo. uma mensagem inesperada. um encontro por acaso. abraçar com força. matar a saudade. chorar de alegria. sentir falta. conquistar alguém. se apaixonar. ser amada. ver. ouvir. sentir todas as coisas. não se importar. importar-se com tudo que é importante. lutar. deitar na grama. sentir preguiça. um fim de semana. viajar. melhores amigos. família. vô e vó. sonhar. aprender. viver. ser feliz…
VONTADE DE IR EMBORA
Hoje é um daqueles dias em que eu gostaria de ser invisível ou, simplesmente, ter o poder de sumir.
Hoje eu não queria ver ninguém, nem ser importunada pela falta de respeito de ninguém. Só por hoje, eu não queria vivenciar a hipocrisia das pessoas e descobrir que eu compartilho disso também. Queria ficar longe das mentiras que as pessoas falam para serem agradáveis e queria que as coisas fossem normais para mim.
Hoje eu queria que não houvessem pessoas tão desinteressantes, nem tão burras. É tanta estupidez que às vezes me falta ar. E me pergunto se sou tão chata assim porque me falta paciência ou porque é todo mundo tão particularmente medíocre que não me dá vontade de aparecer?
Eu queria que me hoje fosse diferente, mas pra ser assim, precisaria que as pessoas também o fossem. Que elas mentissem menos, quisessem não tirar vantagem de ninguém, estivessem dispostas a respeitar o espaço do outro e compreendesse que a vida não é uma palhaçada pra todo mundo.
Às vezes eu queria descobrir como as pessoas conseguem. Como é tão fácil pra elas enganar e continuar sendo feliz. É uma vida tão concreta. Tão livre. E eu me preocupo tanto em não ferir ninguém e acabo vivendo na escuridão, o tempo todo. Parece que niguém mais valoriza a verdade, nem a honestidade, nem o caráter. Parece que “parecer” acaba sendo mais importante do que ser.
Eu queria que minha vida acabasse logo. Eu não sei se terei outra chance, mas não gosto do que vejo. Tanta mentira, tanta estupidez, tanta falta do que fazer e as pessoas acabam não fazendo nada. Nem por si mesmas, nem pelos outros. Isso aqui não me faz feliz e, a cada dia, meu desejo de partir só aumenta. Ficar para que? Não quero uma vida sem motivo, nem deserta, nem infértil, como é a vida da maioria das pessoas.
VÁ E QUANDO VOLTAR, NÃO VOLTE A CHORAR
Deixa disso, levanta. Você já sabe que nem sempre pode viver as histórias, que quase todas, aquelas que mais desejava viver, acabam sempre por ficar a flutuar.
Esquece… foi um sonho que você sonhou acordada. Agora terminou. Parecia mágico, coisa do destino até. Nada dura para sempre. Não se culpe, não se sinta como se tivesse feito tudo errado. Você não fez, apenas seguiu a vontade de sua parte mais fraca: O coração. Terminou. Aceite isso, levante-se. Ficou tudo por viver? E daí? Você acha que o mundo vai terminar? Olhe para você… se apegue nessa coragem, levante os olhos, caminhe, siga. Faça as malas, vá embora. Não leve nada mais que o humor e a coragem. Vá…não leve o amor. Esse, se quiser, que lhe acompanhe em sua jornada. Lado a lado saberá, no fim, dar valor a todo o caminho. E se, no fim, ele já não estiver lá, fique com todas as respostas. Não queira carregar tudo com você, a bagagem fica demasiadamente pesada e, sozinha, nem sempre se consegue. Sozinha, sim. Qual o problema? Há quanto tempo está assim? Há muito… e não é por isso que deixou de viver. O que é simples para você nem sempre o é para os outros.
(eu sei… mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita. Você não pode passar a vida esperando que os outros lhe sejam sinceros, você sabe que eles não são assim. Você não pode pedir coragem a quem não a tem. Pense apenas que não é o fim… que haverá outros, que você vai se apaixonar outras vezes. Você é bonita, lutadora. Esqueça os homens. A única coisa que querem de você, você sabe… depois, passa. E quando pensa que tudo vai começar, afinal, já terminou. Não insista em procurar os porquês nem as respostas. Você nunca saberá… e se vier a saber, elas nunca chegarão a tempo de você mudar o final. Não queira que os outros entendam que na sinceridade tudo fica mais fácil de suportar. Não queira que entendam que se forem sinceros sempre, você poderá admirá-los por alguma coisa. Você tem apenas um vazio, um silêncio que lhe pesa no peito. Mas deixe… isso tambem vai passar, você vai ver.
(eu sei… mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita. São horas de se esquecer que aí por dentro lhe dói. Porque espera, constantemente, para acreditar nas palavras. Mas não se esqueça que há quem tenha o dom e a magia da palavra, mas nem por isso diz o que realmente sente. Você sabe, vá lá… cada um diz o que quer. Não espere receber numa medida igual à que dá. Um dia, se doer, será devagarinho.
(eu sei…mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita. Pare de se apaixonar. você sabe que é sempre assim, não sabe? Então, para quê? Esqueça… não procure o que nunca vai encontrar. E, se encontrar, não pense nunca em deixar sair de você o que sente. Basta dizer “gosto de você” para que tudo se perca. Para que reste um nada do que um dia foi tanto. Aprenda a guardar os sentimentos, pelo menos os mais bonitos. Não se humilhe, não rasteje. Você merece muito mais que isso. Siga o seu caminho, não perca tempo a sonhar. Você não tem idade para esperar por nada, nem por ninguém. Já é o tempo, Rita. Não queira mudar histórias. Todos os fins estão escritos desde o início. Não fique assim, parada, só porque alguém não lhe quer. Que importa? Olha para quem tanto lhe deseja, Rita. Olhe! Não feche o peito, não diga que nunca mais. Quem sabe um dia?…
(eu sei… mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita. Sempre que dentro de você os sentimentos lhe rasgam o peito, querem nascer à força, você fica nessa mania de proteção, de os guardar entre as mãos em forma de concha porque sente que num começo, todos os sentimentos são frágeis, como passarinhos feridos. Vá embora, Rita… não fique assim de mãos ocupadas com um sentimento que não tem futuro. Vá embora, esqueça. Largue isso que teima em prender, numa qualquer berma de uma estrada qualquer e segue caminho sem olhar para trás. Porque raio você teima em sofrer? Você já sabe… se não a procura é só porque não quer. Então, diz-me: por que espera? Os finais felizes, as surpresas boas não acontecem na vida real. Espera que, do nada, lhe diga o que tanto deseja ouvir? Esqueça… nenhum homem tem tanta coragem assim. Eles quando não têm força para uma atitude fazem tudo de forma a que a outra pessoa a tenha por eles. Portanto, parece-me, Rita, que é hora de partir. Olhe para você. Já se viu bem? Nem parece de você… deixar-se ficar assim a agonizar devagarinho, definhando. A mulher que você é e como fica quando os outros lhe dão um encontrão. Levante-se, vá… já estava na hora. você sabe que nada pode esperar dos outros.
(eu sei.. mas aqui dentro…)
Rita…você é livre. Você pode voar para onde quiser. Por que não experimenta olhar para quem está perto de você e que só espera a oportunidade que você teima em não dar, simplesmente porque não se sente apaixonada? Deixe disso, Rital… por vezes é preciso aprender a gostar. E você sabe, a paixão desaparece… E se tentar, quem sabe essa pessoa não lhe surpreende? Já pensou nisso? Vá embora, Rita… já é tarde. Aprenda que as desilusões só chegam porque um dia você se deixou iludir.
(eu sei… mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita. Você nem se deu conta que a noite esteve bonita, com uma lua brilhante. Você nem reparou que o dia hoje foi de sol, que o céu está azul. Vá embora, Rita. Vista as calças, o tênis, uma camiseta de qualquer cor, os brincos, o colar. Saia de casa, Rita. Já não aguento vê-la assim. Vá até à praia, ver o pôr-do-sol. Vá fotografar, leve um livro para ler em um lugar qualquer enquanto toma um café, enquanto fuma um cigarro. Não teime em esconder-se do mundo, não insista nessa espera que nada lhe vai trazer. Vá, Rita… mesmo que esteja frio e não sinta, mesmo que o dia esteja sublime e não note, mas saia. Não fique aqui fechada só para não ter que sentir o peso de olhar-se. Há tanta vida lá fora…
(eu sei… mas aqui dentro…)
Já estava na hora, Rita, de partir. Vá…e, por favor, quando voltar, não volte a chorar…
Adaptado do Blog Confissões de Uma Mulher de 30 – Razão x Coração
DIZER QUE AMO
Será?
Não sei.
Sinto uma vontade insuportável de estar com ele, de participar da vida dele, de beijá-lo, de tocá-lo…
Sinto uma agonia inebriante dentro do peito cada vez que penso nele, acompanhada de um sorriso bobo, sem foco, sem direção…
Eu queria que ele fosse meu. Mas tenho medo de tê-lo e, com isso, ver ele deixar de ser meu…
Meu mundo é diferente depois dele. Meu mundo é diferente com ele. Meu mundo não é mais o mesmo desde que o encontrei…
Nunca tinha sentido essa coisa estranha. Essa doideria que é se perder com uma venda nos olhos. Ser girada e depois solta. Nunca brinquei assim de cabra-cega com meus sentidos…
Estranho é querê-lo tanto e tê-lo tão pouco. E ser feliz com isso…
Tenho medo de deixá-lo, mas não de perdê-lo. Talvez porque, no fundo, eu saiba que nem meu ele é. Meu é apenas o sentimento que tenho por ele. E que vivencio sozinha…
Difícil saber como conseguir me envolver tanto. Deve ter sido por causa das tantas vezes em que ele me chama de amor. Ou do jeito carinhoso dele quando estamos juntos. Ou da maneira como o corpo dele se comunica com o meu. Ou, simplesmente, porque é ele e se fosse outro, eu não gostaria tanto…
Só sei que a voz dele aquece meu coração e mergulha minha alma no infinito. Sentir o toque dele faz meu corpo tremer. Olhar nos olhos dele acende uma centelha de luz no meu espírito…
Será que algum dia eu vou conseguir ser eu mesma de novo? Será que vou deixar de ter esse sentimento? E o sorriso alegre-bobo, será que sempre vai existir? Espero que sim…
Queria ser mais dele. Mas não sei me doar mais ou, talvez, já tenha dado tudo a ele e o pouco que sobrou é só meu. Queria dizer, um dia, que o amo. Mas não quero ser dona de palavras, apenas. O que sinto por ele é mais do que é cabível num par de fonemas…
Direi a ele que o amo numa tarde morna de sábado. Olho no olho. Coração explodindo. Corpo arrepiado. Carícias e um sorriso sem som, sem cor, sem jeito, repleto de felicidade. Direi que o amo sem falar uma única palavra. Não quero que ele escute. Quero apenas que ele sinta a minha alma dizendo para a dele: eu amo você…
CORAGEM É O AGIR DO CORAÇÃO
Sabe uma palavra que eu adoro?
CORAGEM
COR = CORAÇÃO
AGEM = AGIR
Assim, coragem é o agir com o coração. Acho linda essa estrutura. Acho apropriado o significado.
Hoje, na minha terapia, falei um pouco sobre isso. De como me falta coragem, muitas vezes, pra eu fazer o que deve ser feito. Então, pra não sofrer, eu escolho me recolher ou “desencanar”. E deixo de agir com o coração…consequentemente, deixo de viver.
Fiquei pensando hoje em tantas coisas q minha terapeuta falou e que já ouvi tantas vezes: você está sozinha porque você quer. Na verdade, a gente, sem perceber, vive fazendo escolhas para não sofrer. A gente evita se apaixonar, evita se entregar, evita dizer a verdade, evita cobrar, etc… E tudo seria menos doloroso se a gente desse a cara pra vida bater. A gente perderia menos tempo fazendo elucubrações sem sentido, que além de não nos levar a nada, ainda atrapalham mais a nossa vida. A gente ganharia mais tempo vivendo os momentos ao invés de apenas ficarmos pensando neles e desistindo de tentar antes de conseguirmos qualquer coisa.
Eu sei que não existe fórmula para a vida, no entanto, cada um tem a sua. O que percebo é que se a gente tivesse mais coragem, perderíamos menos tempo sofrendo com coisas que, muitas vezes, só estão em nossas cabeças. Às vezes, o agir com o coração faz mais sentido e acaba sendo menos doloroso.
Estou meio triste hoje. Vejo que talvez essa minha história com o Fê não faça sentido algum ou, talvez, só faça sentido pra mim. Talvez não seja nada disso na qual estou pensando ou, quem sabe, é algo na qual ainda não pensei. Acho que as mágoas que a gente carrega embaralham muito nossa maneira de ver o mundo e por isso a gente acaba fazendo besteiras. O sofrimento acontece pq a gente se frustra e a gente só se frustra quando dá as caras pra vida. Acho que isso é viver, então. Não tem outro jeito. A única forma de passar incólume pela vida é se abstendo dela. Mas ninguém quer isso. Eu não quero isso. O que sobra é viver então, enquanto estamos vivas, a história vai se fazendo. Acho que vou deixar rolar…nao sei bem ainda…às vezes é na falta de sentido que a gente encontra sentido para as coisas ou o coração não precisa mesmo de sentido. De qualquer forma, estou confusa e é isso que sinto hoje.
DIA DOS NAMORADOS
O que é namorar?
Eu, que quase nunca namorei, não saberia dizer.
Namorar é partilhar,
É abrir mão um pouco de si mesmo.
É deixar o outro fazer parte de nossa história.
Namorar não é, simplesmente, estar com alguém.
Mas é ter alguém para estar.
Quem nunca se doou,
Quem nunca viveu a dor de felicidade que é gostar de alguém,
Quem nunca desejou ser, com o outro?
Esse nunca namorou.
Eu queria ter tido mais opções.
Mas fugi a vida toda desse compromisso.
Dessa responsabilidade que é ser responsável pelo amor por alguém.
Quando você se apaixona, se coração esquenta.
Você passa a ver a vida com um sorriso no rosto.
Tudo ganha outra cor, outro significado.
Eu queria pintar de rosa a minha vida.
Pintar da cor do amor que sinto.
Acho que vou fazer isso.
Vou pintar meu mundo colorido.
Uma cor pra cada amor.
DESABAFO DE VIDA
Estou cansada de tanta coisa. Detesto quando minha vida não acontece, quando começa tudo a funcionar de um jeito que eu não gosto, quando não tenho boas notícias.
Eu queria evitar me aproximar das pessoas, e me relacionar com elas desse jeito vazio. Eu não queria que fosse sempre assim. Só uma vez eu queria que desse certo. Somente hoje eu queria receber flores e um telefonema. E lembrar disso sempre.
Só queria esse momento meu e do outro e uma vida a nós. Sem essa de ficar triste. Sem o caso de não ser o caso. Sem desencontros fora de medida. Eu queria viver a vida nessa vida, sem interrogações ou medo de mudanças.
Estou muito cansada.
Estou muito triste.
Estou com muito medo.
Cansada de viver.
Triste por viver.
Medo de viver.
Se, hoje, me perguntassem o que é a vida, eu diria: viver é uma dor enorme dentro do peito que não tem cura. Ter medo é fugir dessa dor. É se esconder numa caverna e só sair dela quando a vida for embora. Tudo aquilo que nos toca, mexe com nossa vida. Nos faz mal, nos atropela, nos cansa.
Eu só queria um amor de verdade. Desses que fazem a gente sonhar colorido e dormir e acordar sorrindo. Desses bem tranquilos em que você acorda de manhã com um selinho e vai trabalhar mais leve. Desses que seguram sua barra quando nada está fazendo sentido. Eu queria um amor para amar e dividir esse amor em quatro pedacinhos. Um para cada estação do ano. Um que nasce, um que aquesce, um que esfria e outro que transforma.
Será que querer tanto é querer demais? Será que se eu deixar de ser quem sou, serei alguém melhor, mais digna desse amor? Eu só queria um amor sincero, que me dissesse bobagens no meu ouvido no escuro. Que me chamasse de amor na frente de todo mundo. Que colocasse meu mundo de cabeça para baixo.
Eu só queria um amor que tumultuasse minha vida e me fizesse achar graça das esquisitices desse mundo sem sentido.
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