Posts de Março, 2009|Página de posts mensais
NÃO SE PREOCUPE COM A RECEITA DO BOLO
Para fazer um pão-de-ló fofíssimo, você vai precisar de açúcar, ovos, farinha de trigo, fermento e um pouco de leite. A receita praticamente não varia. Alguns podem acrescentar emulsificantes e outros, essência de baunilha, mas o básico é isso. Para a vida, a única receita disponível é viver.
Jogue fora todos os livros que pretendem dizer a você que felicidade é uma combinação de fatores. Esqueça. Não existe segredo maior que a sua inteligência e a sua capacidade de elaborar suas próprias idéias. Fazer amigos e influenciar pessoas pode ser uma técnica, mas é certo que jamais deve ser um guia para o estabelecimento das amizades verdadeiras.
Felicidade não é um aqui e agora (talvez). Também não existe fórmula para se encontrar marido depois dos 35. As relações entre pessoas não funcionam assim. Os livros não poderão oferecer uma dieta saudavelmente eficaz a quem sempre detestou comer alface. Nem há afirmação positiva que faça sua vida melhorar se suas próprias ações não são lá tão positivas.
Esqueça tudo que já disseram a você sobre juventude, maturidade, ser homem, ser mulher. A condição humana não é tão simples. Abra mão dos paradigmas inventados pela publicidade. Liberte-se dos preconceitos correntes. Beleza não é tão fundamental. Dinheiro pode não vir com a felicidade de brinde, mas traz conforto sim. E a única pessoa que pode saber quem você é o que deve fazer é você mesmo.
Diferente do pão-de-ló, nossos ingredientes são tão diversificados e nossas possibilidades, tão infinitas, que seria impossível dividir tudo em poções. Até as etapas criança-jovem-adulto se confundem, por vezes. Vemos adultos agindo como crianças e vice-versa. Não sem muita surpresa, hoje vemos homens usando a batedeira e mulheres, a britadeira.
Nossa receita é diferente. Ou melhor, não existe receita. Passamos anos vendo nossa individualidade encolher com essa coisa toda de moda e certo ou errado. Bem e mal. Moral e amoral. Politicamente correto. E, entre umas e outras, você acaba se perdendo e esquecendo o que estava pensando a respeito disso tudo. Quantas vezes você se deu tempo de parar e se perguntar quem você realmente é? Não aquela mulher de saltos altos e tailler e, muito menos, aquele homem de terno bem cortado. Não um libriano nascido no dia 23 de outubro. Nem uma brasileira filha de pais japoneses. Mas você, despido diante do espelho e do mundo.
Milhões de autores de Best Sellers vão dizer a você que existe um remédio para tudo. Falam sobre casamento, relacionamento entre pais e filhos, sobre “curar” sua própria vida e ainda sobre um arco-íris que vai dar num pote cheio de moedas e tornar você bilionário. Mas será mesmo que isso vai funcionar para você? Será que vai adiantar ser mais agressivo ou mais passivo? Ou ser otimista diante de cada fato? Serve para você essa coisa toda de mentalizar o que se quer?
Um dos maiores erros que nossa civilização ocidental tem cometido é compreender a vida partindo do princípio de que todos podemos utilizar o mesmo molde. Isso foi instituído com o advento das grandes mídias e da comunicação de massa. Quanto mais iguais nos tornamos, mais fácil é nos manipular, nos enfiar uma colherada do mesmo xarope. Você não é o que você compra, mas o que você sente. Quantas propagandas vão dizer isso para você?
Pense sempre que sua vida é um barco num oceano de possibilidades. Você pode usar o vento contra ou a seu favor. Qualquer que seja o caminho, uma surpresa e uma dificuldade se apresentarão. Não limite sua vontade. Leia outros livros, principalmente aqueles que não começam por títulos sugestivos e capciosos. Dê preferência aos clássicos. Eles não são clássicos por acaso. Escolha os autores de pensamento livre. Abandone as idéias prontas. Deixe inscritas na sua vida as suas próprias descobertas. Elabore, você mesmo, suas perguntas e as responda sem pressa.
Não tenha medo de encontrar um ser humano não tão correto nesse mergulho no eu. Você nunca será tão perfeito como prometem os milhares de livros de auto-ajuda. Nem sua casa obedecerá a todos os preceitos do baguá, nem seu peso estará dentro da média. Na maioria das vezes, choramos bastante quando nos olhamos sem disfarces. Vemos então que nossas formas não são assim tão simétricas quanto exigem as revistas de moda e que não dá para gostar de alguém e não sentir medo de perder. O ciúme é inevitável, apesar de controlável.
Quando percebemos que a vida não é uma receita simples para um bolo comum, entendemos o mistério. Você não é o que falam para você. Você não é uma campanha da Colcci, nem um Big Mac. Você não precisa de auto[mática]-ajuda. Tenha suas próprias idéias ou exercite isso em você. Com o tempo, você verá que não é tão difícil assim ser quem é. Compreenderá melhor as razões para agir como age e encontrará a forma correta para realizar as mudanças, caso sejam necessárias. Verá que não deve levar tão a serio o que os outros dizem. No final, o fracasso e o sucesso você não vai achar nos livros, em nenhum deles, mas dentro de você mesmo.
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