MINHA TRILHA SONORA
E já são 30 anos. E se eu pudesse voltar? Se tivesse a chance de fazer diferente? Se eu quisesse, eu poderia?
É provável que estivesse tocando essa música quando eu nasci:
“Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar!
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar
Mas chora!”
Vou festejar
Ainda tento me acostumar com o som dos 30 fazem na minha cabeça. Tudo meio que muda bem no meio dessa grande sinfonia que é a vida da gente. Acordamos para o mundo chorando por não sabermos ainda usar as palavras e o mesmo acontece nos anos seguintes porque não importa quanto tempo tenha passado, algumas vezes choramos porque essa é a maneira mais fácil de nos fazer entender.
“Lá vem o pato
Pata aqui, pata acolá
La vem o pato
Para ver o que é que há.”
Pato Pateta
E eu comecei essa grande caminhada feito o pato pateta, fazendo um monte de trapalhadas. A gente nem percebe o tempo que leva até que aprendamos alguma coisa. Até os 10 somos humildes o suficiente para fazer mais perguntas do que respondê-las. Dai até os 20 achamos que temos todas as respostas e já não precisamos das perguntas. Mas vamos nos aproximando dos 30 e percebendo que por mais que tenhamos algumas respostas, elas nunca serão suficientes. É quando a gente, finalmente, aprende que há mais a saber do que pode caber em uma vida.
“Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
E orelhas de camelo, né tio!
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está
É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo é tão bom de se gostar
E eu adoro
É claro
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo”
É tão lindo
Acho que essa foi uma das primeiras lições que aprendi antes de chegar aos 30: respeitar as pessoas como são. Lembro de minha mãe sempre dizer que ninguém é melhor ou pior, só diferente. Que não devíamos julgar ninguém pela aparência por encontraríamos gente boa mal-vestida e gente ruim bem-vestida. Foi um dos maiores ensinamentos que poderia receber e hoje vejo como foi importante eu aprender isso desde cedo. Acho que isso foi meio que uma preparação para as pessoas maravilhosas e diferentes que eu encontraria no meu caminho.
“Recortei a luz da lua e colei num papelão
Escrevi assim sou sua e te fiz um coração
Encontrei você na rua, você nem deu atenção
Eu nem sei qual é a sua, coração de papelão
Então chorei, até pensei, amor assim pra que?
Meu bem não sei fingi que nem te olhei
Sempre quis namorar com você (meu amor sempre quis namorar com você)”
Coração de papelão
Eu lembro que essa música fazia sucesso quando me apaixonei por meu vizinho. Lembro das bochechas queimarem e o coração quase sair pulando pela boca quando o via. Acho que foi a coisa mais doce que senti por alguém. Não era vontade de beijar, nem de tocar, era mais um desejo que ele estivesse do meu lado o tempo todo e, ao mesmo tempo, cada vez que eu pensava que estaria no mesmo lugar que ele, sentia que minha alma desmaiava, mesmo que eu continuasse de pé. Eu não devia ter nem nove anos. Foi um despertar para o amor lindo esse meu.
“Se lembre que eu há muito tempo te amo, te amo, te amo.
Quero fazer você feliz!
Vamos pegar o primeiro avião,
Com destino a felicidade
A felicidade pra mim é você!”
Pense em mim
Ai chega uma época em que amar é uma coisa tão inocente. A gente, simplesmente, ama. Minha timidez sempre me impediu de amar com mais verdade, mas não com menos intensidade. Era uma época em que eu achava que tudo que era possível sentir no mundo estava dentro de mim. E pra que se preocupar se não haveria sucesso nesse amor, importante mesmo era descobri-lo mais forte a cada dia. Era dormir sonhando como se o mundo fosse feito apenas de príncipes e fadas. E eu esperando que uma delas realizasse meus desejos. Era tão pouco o que eu queria. À fadinha dos dentes só pedia que passasse de ano. Aos seres da floresta eu só pedia vida. Vida e mais vida. Como se aos 12 anos a vida fosse muito pouco. Havia tanto a descobrir e uma batalha interna tomava formato. Minha cabeça já não era a mesma, nem meus sonhos, nem minha felicidade. Eu estava me descobrindo…
“Como é que uma coisa assim machuca tanto
E toma conta de todo o meu ser
É uma saudade imensa que partiu meu coração
É a dor mais funda que a pessoa pode ter”
Que se chama amor
Uma das descobertas, acho que a primeira que eu fiz na vida, é que amar alguém dói. Descobri então que por mais protegida que eu estivesse, alguém sempre poderia me machucar. Acho que quando as coisas estão acontecendo pela primeira vez em nossas vidas, tudo é muito mais intenso, mas também são águas que passam sem deixar tristeza. Não lembro de sentir a dor que sinto hoje, nem de ter tanto medo de sentir o que eu sentia. Era a vida que ia, simplesmente, acontecendo e eu a deixava correr…suave e selvagem.
“Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…
Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…”
Pra não dizer que não falei das flores
Também há sempre um momento em que a gente desperta e começa a compreender que fazemos parte de algo maior que nós mesmos. Esse momento aconteceu quando eu tinha 14 anos e senti que não era possível que eu estivesse no mundo à toa. Foi quando eu “despertei” pro mundo e para tudo que existia além do meu umbigo…
(continua)
2 comentários até agora
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Depois de ler isso tudo não me senti velha, me senti viva!
Um beijo!
Mah
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EITA DANADOOOOOOOOOO… .ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!