Posts de Agosto, 2008|Página de posts mensais
DEIXO-TE
Deixo-te
Assim, sem me despedir.
Como quem caminha rumo à liberdade.
Sem se importar com a dor de caminhar sozinha.
Deixo-te,
Porque nunca estive, exatamente, contigo.
E não quero prender-te mais.
Não queria ir-me.
Mas a natureza do homem é sempre essa,
Fugir do que lhe causa estranheza.
Esconder-se de si mesmo.
Queria calar-te dentro de mim,
E apagar essa luz que acendestes.
Mas sinto-te em todos os meus movimentos.
Em todas as minhas lembranças de felicidade.
Deixo-te,
Não por vontade própria.
Mas pela covardia de não conseguir amar-te sozinha.
Pelo medo de ter-te assim, tão distante.
Pela mesma razão que ouso querer-te.
Fostes tu tão irresponsável,
Não tivestes aparecido em minha vida,
Agora não precisaria te deixar.
Simplesmente por não me ter feito conhecer-te.
E agora, deixo-te.
Com todo o peso na alma
E uma vida a refazer.
Sem tua voz doce e teu sorriso aberto.
Sem lembrar que estavas lá, a qualquer momento.
Tua existência deixar-me-á com saudade,
Mas a lembrança dos teus olhos não terá tão rápida despedida.
Adeus, se posso dizer-te.
Vou para a vida.
Se nos encontrarmos em nossas caminhadas,
Se nos olharmos novamente,
E percebermos que o tempo que passou não foi perdido,
Então, volto a ti.
Se não, já serei outra mesmo, que importará?
O MOTIVO DE CADA UM
Fazia tempo em que eu queria escrever sobre isso.
É mais uma catarse sobre a vida e de como as coisas funcionam.
Tipo, tem horas em que a gente tá na merda. A gente pensa que não pode ficar pior e…fica. A gente não consegue ver muito além das coisas e procura saídas que não existem. Parece quanto mais a gente cutuca a lama, pior vai ficando a situação pro nosso lado.
Ai bate aquele desespero. Tipo, a gente chora, aluga o melhor amigo, fecha a cara, se estressa e deixa de fazer um monte de coisas legais. Ai, né?, lei da atração. Tá, eu não acredito nessa besteirada toda de O Segredo, mas Murphy funciona sempre, né? Você cai, constrangedoramente, no meio da rua. Sua empresa atrasa o pagamento e te deixa fudida. Seu ficante cansa de você. E seu cabelo passa a assumir dimensões e formas grotescas.
Você olha as pessoas na rua e elas parecem tão felizes. Conversam, comemoram, namoram e se abraçam. Nesse momento é que eu vejo que não adianta fazer nada. É o famoso “relaxe e goze”. O céu não vai ficar cinza porque você está infeliz, nem a noite, menos estrelada. E eu poderia dizer: olhe para as pessoas que não têm nem o que comer (ou, tipo, tem gente mais na merda que você, então pare de frescura). Mas, cada um no seu quadrado. A infelicidade, seja pelo motivo que for, é sua. Única.
Sua felicidade ou infelicidade é sempre um pedaço do que você viveu. De como foi a sua infância, seu relacionamento com seus pais e até da maneira como você desenhava árvores. E eu sempre fico surpresa em me ver nesses momentos.
Tem que ter muita coragem para desafiar a vida. Pra seguir um caminho diferente daquele que, aparentemente, lhe foi traçado. Pra romper as regras e continuar de pé. Mesmo que te digam o contrário. Ainda que todos os horizontes sejam curtos e todas as barreiras, intransponíveis. Tá, isso tá parecendo prefácio de livro de auto-ajuda. Mas, né? Não é todo mundo que consegue sair incólume disso. Tenho que reconhecer.
Chegando perto dos 30 acho que você meio que reflete sobre muita coisa. Não tenho medo de envelhecer, nem de morrer. Mas tenho medo de ficar sozinha. No sentido mais completo da palavra (apenas para criar um paradoxo). Tenho medo de perder meus pais, minha família, meus amigos. Medo de não ter com quem falar, por quem chorar, e todo esse melodrama de romancesinho americano.
Mas acho muito justo ter esse medo. Sou humana, né? Sem contar que isso é também minha maior alegria. Tipo, quando eu tou na merda e quase começando a pensar que a morte é a única saída certa, eu penso nas pessoas que eu amo. Jamais ousaria deixá-las de livre e espontânea vontade. Eu consigo sentir o abraço de cada um dos meus verdadeiros amigos. E eu acho incrível isso na nossa espécie: essa capacidade de encontrar algo bom no seio das piores intempéries. Tipo, tem um furacão e você vê lá pela televisão as pessoas se matando para salvar uma vida. Você vê pessoas cuidando com esperança de doentes terminais. Encontra alguém que lhe oferece comida, enquanto você achava que o dia estava perdido.
Acho que isso pode ser chamado de “o motivo de cada um”. O meu é acreditar no amor e procurar senti-lo de alguma forma. Porque eu acredito que não dá pra passar pela vida sem descobrir um motivo para ter coragem e continuar seguindo. A gente acaba adoecendo ou enlouquecendo com tanta coisa ruim. E também não dá pra desafiar tudo e não pagar um preço por isso. O meu custo é ter todos os conflitos psicológicos ululando em minha alma, mas meu pagamento é feito com o amor que sempre achei, de graça, em todos os lugares em que estive. Acho que é justo, né?
ÓIA O QUE EU GANHEI
Rita Ce é tudisso ai pra mim iscrito aimbaixo: [ACHEI TONLINDU!!!]
Ce é o colírio do meu ôiu…*
É o chiclete garrado na minha carça dins…*
É a maionese do meu pão…*
É o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu – eu tenho dois)…*
O limão da minha caipirinha…*
O rechei do meu biscoito…*
A masstumate do meu macarrão…*
A pincumel do meu buteco…*
Nossinhora!!!*
Gosto dimais da conta docê, uai…* Ce é tamém:
O vi deperfume da minha pintiadêra…*
O dentifriço da minha iscovdidente…*
Óiprocevê, quem tem amigo assim, tem um tisôru !!!*
Eu guárdesse tisouro, com todo carinho ,do Lado Esquerdupeito !!!*
Dentro do Meu Coração !!!*
AMOOCÊ PADANÁ
BRIGADA, RÔ!
EU APENAS QUERIA QUE VOCÊ SOUBESSE
Hoje eu acordei pensando nessa música do Gonzaguinha. Tão minha que eu mesma poderia ter escrito. Tá, talvez eu levasse alguns séculos até essa excelência…mas, tipos…diz tudo, né? É o tipo de música que tem a cara dos meus pais, e dos meus melhores amigos. Então eu ia negritar o que tinha mais razão de ser…mas ai vi que não ia sobrar mais nada que não estivesse em negrito porque cada pedaço, diz alguma coisa minha a alguém. Então resolvi deixar do jeito que tava e quem me conhece de verdade, vai saber que é tudo verdade.
Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida
Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
ATRAVÉS DO ESPELHO
Minhas amigas andam dizendo que tenho sido muito chata. Ok, novidade nenhuma porque sempre fui um porre. Mas, né? Quando a galera que a gente conhece começa a dizer esse tipo de coisa é porque o bicho tá pegando – ou não.
Eu nunca me importei muito com o que as pessoas pensam e falam de mim, desde que seja verdade, claro. Mas se tem uma coisa com que eu me importo, e muito, é com a opinião daqueles que eu considero. Num gosto de dar uma de “gênio incompreendido” porque, né? Num sou tão “gênio” assim pra ficar fazendo cu doce e agindo como se soubesse de tudo mais que todo mundo. Mas, às vezes, eu queria que meus amigos entendessem algumas das minhas opiniões. Por isso, resolvi, como boa jornalista, fazer uma entrevista comigo mesma…quem sabe assim eu não me ajudo também a entender porque porra eu tenho sido tão chata até quando estou sozinha.
_ Você tem uma implicância gratuita com algumas pessoas com personalidade diferente da sua. Com que frequência isso acontece?
- Então, não é *sempre*. Só é *quase sempre*, tem diferença. E não é gratuita, não. Custa um monte pra mim ter que aguentar certas figuras. Mas é que tem um tipo de pessoa que, oi, não desce nem com skol. Tipo, eu sou toda “certinha” a maior parte do tempo, não que eu tenha vocação pra santa mas, né?. Num tem jeito. Sou o tipo *Gabriela* mesmo, serei sempre assim. E quando eu falo “certinha”, isso não significa que eu fico *fazendo a Sandy*, porque pára, eu sou bem puta quando eu quero e gosto de putaria sim, porque oi, putaria é básico. Mas tou falando em agir de acordo com o que falo. Procuro ser coerente nesse sentido. Para mim, isso faz um ser humano ser autêntico, porque se tem uma coisa que eu ODEIO é gente fingida ou que diz uma coisa e faz outra. Nossa, como isso me tira do sério. Tipos, tem a Rô e eu admiro muito ela. É mulher, oi, gosta da *coisa* e faz o quer com a própria vida, sem arrependimentos. É esse tipo de pessoa que eu gosto de estar perto, porque eu sei que vai ser sincera sempre, principalmente quando tiver de saco cheio de mim e me mandar tomar no c*.
- Que qualidades uma pessoa deve ter para ser seu amigo? Deve ser difícil conseguir isso com você, não é?
- Super é. Cara, eu sou muito tímida. Se a pessoa não chegar junto, puxar assunto, eu não vou me aproximar mesmo (claro que, às vezes, uso isso como desculpa para não falar com alguém com quem eu não esteja a fim). Pense numa pessoa super desconfiada e analítica com gente. Sou eu. Um amigo me disse uma vez que eu tenho um questionário imaginário e vou “tickando” o que há de bom ou ruim na pessoa para, só depois, permitir-me ser sua amiga, ou não. Claro que não é bem assim. Algumas vezes a empatia é mais forte que o instinto de auto-preservação. Eu só acho que amizade é uma das coisas mais valiosas do mundo. Procuro não ficar gastando muito e, além disso, Já me fudi muito com pessoas que eu achava que eram meus amigos e acho que depois de um tempo só-se-fodendo, você acaba ficando mais seletivo mesmo. Depois da minha família, vêm meus amigos e isso, pra mim, tem tanta importância que eu NUNCA chamaria de amigo alguém que não fosse capaz de dividir comigo a sua história. Porque, né?, muito fácil neguinho vir chegando, ir pra balada com você, beber junto, mas não ser capaz de também de chorar com você ou se abrir com você. Eu considero esse tipo de coisa importante. Num tem muito segredo. Também, pra quê, né?. Pra ser meu amigo, basta que a pessoa seja ela mesma (pro bem ou pro mal) e não me venha com essas mesquinharias de querer ser meu amigo por eu ter isso ou aquilo e talz, até porque, oi, a única coisa que eu teria para “dar” a alguém, nem todo mundo iria querer.
- Você vive implicando com sua colega de apartamento. Por que?
- Não é implicância. Na maioria das vezes é falta de paciência mesmo com o “fantástico mundo de Bob” onde ela vive. Então eu meio que *catuco* pra ver onde é que vai dar. Ok. Num sou a pessoa mais pé-no-chão do planeta. Tá, também sei que não sou a dona da verdade (mas gostaria muito de ser). E, tá bom, tá bom, eu sou mesmo pau no cu de vez em quando.
- É verdade que sua arrogância é uma maneira de você se proteger das pessoas? Ou será que isso não é uma desculpa que você inventou para si mesma para não transparecer que você se acha melhor que os outros?
- Cara, não tem coisa que me deixe mais pirada do que esse papo de ser-melhor-que-os-outros. NINGUÉM é melhor ou pior. As pessoas só são diferentes. Tipo, eu gosto de campo, enquanto a maioria das pessoas gosta de praia. Tem gente que acha que vai morrer se ficar em casa na sexta à noite e, dependendo da balada, eu prefiro ficar em casa na minha a me meter em roubadas. Eu adoro coisinhas fofinhas e bonitinhas e cores básicas. Minhas amigas adoram extravagâncias. Eu gosto de sossego, MPB, água de coco e dos livros do Saramago. O resto do mundo curte raive, eletrônica e ficar loucão. É diferente. Eu não sou arrogante (tá, às vezes, sim), nem mau-amada, nem a bruxa do 71, ou o caralho que alguém já deva estar me chamando a essas horas. Claro que eu sei que ando parecendo uma velha reclamona, precisa nem dizer, né? Mas, pára, é muita gente chata, hipócrita, mentirosa e fútil para eu aguentar. Preciso filtrar de vez em quando, se não, minha cabeça explode. Ai, oi, faço a *egípcia* com algumas coisas e pessoas mesmo que é pra ver se alguém entende que eu não vim ao mundo pra ser igual a ninguém.
- O que você, no auge da sua “tolerância zero”, não consegue aceitar nas pessoas?
- Olha, pra ser bem sincera, eu gostaria que meu toleranciômetro tivesse uma escala mais larga. Mas sou muito exigente com pessoas. Eu fico pra matar com gente mentirosa e com tipos torpes que eu vejo por ai, que não entendem de nada e “fingem” que são descoladas e conhecedoras do mundo, tudo no melhor estilo: colar, colou. Também odeio essa modinha de marketing pessoal. Ai, pára, né? Ninguém merece uma pessoa que só fala de si mesma, que acrescenta mais do que deve às histórias e vive das glórias do passado. Ai, dá uma angústia. Outra coisa que eu não entendo é a traição. Eu posso estar correndo o risco de parecer ser a pessoa mais ingênua do mundo mas, tipo, eu sempre achei que gostar de alguém é ficar com esse alguém e ponto. Sem reticências. Sem aquela desculpinha ridícula de que ele/ela me trai também. Sem ficar arrumando desculpas. Cara, eu não tenho nadíssima a ver com a vida de ninguém, mas não me peça pra respeitar gente assim, porque, né? São dessas pequenas coisas que o caráter de uma pessoa é feito. Moralismos à parte, eu fico pensando sempre que uma pessoa que mente, que precisa de uma máscara para se apresentar aos outros ou que trai aquele/aquela que diz que ama…porra, merece ter credibilidade em relação a alguma coisa? É aquela história de ser coerente. Agora, oi, se a pessoa for uma boa filha-da-puta, então tá. Ai, tudo bem. Não há conflito entre o que ela é o que aparenta ser.
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