Posts de Maio, 2008|Página de posts mensais

DESABAFO DE VIDA

Ah, foda-se!

Estou cansada de tanta coisa. Detesto quando minha vida não acontece, quando começa tudo a funcionar de um jeito que eu não gosto, quando não tenho boas notícias.

Eu queria evitar me aproximar das pessoas, e me relacionar com elas desse jeito vazio. Eu não queria que fosse sempre assim. Só uma vez eu queria que desse certo. Somente hoje eu queria receber flores e um telefonema. E lembrar disso sempre.

Só queria esse momento meu e do outro e uma vida a nós. Sem essa de ficar triste. Sem o caso de não ser o caso. Sem desencontros fora de medida. Eu queria viver a vida nessa vida, sem interrogações ou medo de mudanças.

Estou muito cansada.
Estou muito triste.
Estou com muito medo.

Cansada de viver.
Triste por viver.
Medo de viver.

Se, hoje, me perguntassem o que é a vida, eu diria: viver é uma dor enorme dentro do peito que não tem cura. Ter medo é fugir dessa dor. É se esconder numa caverna e só sair dela quando a vida for embora. Tudo aquilo que nos toca, mexe com nossa vida. Nos faz mal, nos atropela, nos cansa.

Eu só queria um amor de verdade. Desses que fazem a gente sonhar colorido e dormir e acordar sorrindo. Desses bem tranquilos em que você acorda de manhã com um selinho e vai trabalhar mais leve. Desses que seguram sua barra quando nada está fazendo sentido. Eu queria um amor para amar e dividir esse amor em quatro pedacinhos. Um para cada estação do ano. Um que nasce, um que aquesce, um que esfria e outro que transforma.

Será que querer tanto é querer demais? Será que se eu deixar de ser quem sou, serei alguém melhor, mais digna desse amor? Eu só queria um amor sincero, que me dissesse bobagens no meu ouvido no escuro. Que me chamasse de amor na frente de todo mundo. Que colocasse meu mundo de cabeça para baixo.

Eu só queria um amor que tumultuasse minha vida e me fizesse achar graça das esquisitices desse mundo sem sentido.

VIDA REAL

Hoje eu acordei pensando nos tantos sentidos que pode ter a nossa vida.

São nãos que encontramos no caminho e nos paralizam.

São sentimentos que encontram os nossos e, de alguma maneira, nos marcam para sempre.

São peças de um quebra-cabeça que pode ter qualquer forma.

Isso tudo é tão incompreensível. Tão irreal.

Temos sempre apenas um momento para as nossas maiores decisões e uma vida inteira para conviver com isso.

Não é engraçado que por mais aleatória que possa ser uma escolha, ela sempre faz algum sentido?
Ñão é estranho que a reta que seguimos, na verdade é apenas um círculo de erros e aprendizados?
Eu cansei de perguntar o por quê. Cansei de querer saber, de adivinhar, de duvidar. A vida vai acontecer de qualquer jeito, quer eu queira ou não. Eu também decidi que não vou mais buscar respostas para aquilo que eu já sei. Que tentarei conter minha impaciência e ansiedade. Que segurarei meu medo de viver o inevitável. Porque invevitável é a própria vida.

Mas confesso que estou cansada de promessas vazias, de gente que vive de aparências, da aparência das coisas. Estou cansada do pó de todo dia.

Às vezes me cansa a vida. Às vezes ela me surpreende. Mas só raramente ela me faz feliz. Só muito de vez em quando eu me imagino sendo tudo que gostaria e vivendo da maneira que queria. Não me permito isso com muita frequencia. Pode ser perigoso demais acreditar nos próprios devaneios. Pode ser triste ver os sonhos fracassarem. Isso é tudo que eu compreendo. É de onde vem minha força.
Só de vez em quando eu queria que a vida se mostrasse pra mim sem muitos mistérios. Que fosse simples dar um beijo, se apaixonar, amar alguém. Que fosse passageira a crise financeira. Que o tempo sempre fosse bom nos fins de semana. Que não chovesse na praia. Que a comida estivesse sempre deliciosa e que minhas plantinhas não morressem.

Claro que eu não queria que fosse tudo assim, ao mesmo tempo. Mas seria perfeito se fossem, pelo menos, duas por vez. Eu queria ter vida para tudo isso. Queria que desse tempo. Queria que essa felicidade durasse algumas horas a mais.Mas querer isso, é querer demais e o proprio viver é consequência do modo como encaramos o fim.

A VIDA ACONTECE

Adoro quando o céu fica todo azul e o sol reflete uma luz amarelo-alaranjado. Meio cor de ferrugem, meio passagem do tempo. Fico pensando em quantas pessoas não vêem a mesma coisa. Que fazem elas? Que razão teriam para se lembrar da vida?

Viver é tão assustador. Acontece com tanta velocidade. Ficamos parecendo bonecos, inertes às mudanças que, queiramos ou não, acabam acontecendo. Um dia você nasceu e no outro, morreu. Um dia lembrou, depois esqueceu. Foi e voltou. Em algum momento, deixou de ser.

Essa é a vida. Acontece a toda hora. Às vezes, somos pegos de surpresa. Boas ou más, não faz diferença. Nos tira do foco do mesmo jeito. Uma hora é uma paixão intempestiva e passageira. Noutra, é uma contrariedade qualquer que faz a gente ficar olhando pro céu na tentativa de, talvez, achar uma resposta. De, quem sabe, se lembrar de algo antigo, velho como o raio de sol.

Eu já tive medo de conhecer a mim mesma. Hoje, sinto medo apenas desse equilíbrio frio e metódico. Só de vez em quando, é bom nos jogarmos nos braços do acaso. Olharmos em volta sem querer saber quem está perto. Apenas sentir que não somos tão perfeitos assim e por isso nossa vida é tão maravilhosa.