AMOR E DESPEDIDA
Preciso me afastar das pessoas antes que elas se afastem de mim…é sempre mais fácil ir embora antes. Amar é uma coisa forte que dói demais. Quando acaba no outro a gente quer morrer. Quando acaba na gente, é a dor do outro que nos corrói. E eu até hoje não entendo porque algumas pessoas ainda acham que amar é bom. O único amor que não temo é o que eu sinto pelos meus pais. É o único com o qual me sinto segura. Não porque os terei para sempre, mas por saber que sempre serei amada por eles.
Eu me sinto tão vazia quando uma casca de ovo. Tão sozinha quanto uma folha de inverno. Quanto mais eu ando…a cada passo que eu dou, sinto como se tivesse dando dois para trás. Sigo adiante assim mesmo, mas dói. E, quer saber, a dor de ser só é tão doce que às vezes vicia…é tão suave que é impossível distinguir se o que sentimos não é apenas impressão. A dor da solidão é amarga, disfarçada de alegria. É quente de tão fria. É o que sentimos quando o vazio fica tão insuportável que, para não morrermos de solidão, nos acostumamos a suportá-la.
A solidão não é uma escolha minha. Nunca foi. Não prometi ser sozinha, nem dormir e acordar, todos os dias, do mesmo jeito. O vazio consome, destrói o que temos de bom. É como se só fôssemos metade de algo que não existe. O vazio é destruidor.
Eu nao pedi essa vida vazia e triste. Não é um fruto que eu tenha plantado. Não é uma carga que eu queira levar para sempre. Nasci com o coração grande demais para amar tão pouco. Prefiro pensar que estou esperando meu amor chegar. Se um dia ele vier, será muito amado. Se não estiver aqui a tempo….perderá um amor imenso.
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